Quinta-feira

O que é o agora.

O passado é sempre algo que não podemos corrigir.
E futuro sempre supõe algo que podemos fazer.

Sobre o quê você prefere pensar?

Disritmia

Amor é inocência.
E não se é experiente no amor.
Se você se torna experiente em amar, então deixou de amar há muito tempo.

Quarta-feira

Vício

Saudade não se mata com um tiro.
Também não se arranca com uma pinça.
Não se corta pela raiz nem se chuta com toda fúria.
Saudade não se explica, nem se entende.

Sentir saudade é como fome de bicho.
Que incentiva o abraço e saliva a boca,
Quando ela é saciada, o tempo passa mais rápido.
Como se tudo o que foi perdido fosse encontrado logo ali.

Saudade é vício.

Terça-feira

O Fim

Acabou, como era de se esperar
Se não esperava...paciência.
Só não viu quem não quis ver.

A falta de paciência é igual.
A sinceridade também.
A mensagem fica pra quem quiser se adequar a ela.

Obrigado pelo tempo gasto.
Obrigado pelo retorno.
Obrigado pelo silêncio.

Acabou.

Vontade vazia

Eco na casa vazia.
Quando falo, minha voz me faz companhia.
Não é o que preenche o espaço...mas até engana quando não se olha.

Engana bem alias.
Quando abro os olhos, nem parece minha.
Dá vontade de encostar pra ver se é de verdade.
Pra ver se tem carne e osso como parece.

Minha voz dá vida às coisas ocas que imito.
E assim, encho a casa com figuras transparentes.
Elas transbordam pelas portas e janelas.
Caem no meu colo e ainda assim não encostam em mim.

A casa vazia agora está cheia.
Cheia de nada.
Nada que é todo meu.

Segunda-feira

Pulso básico do coração

"Você conseguiria dizer se me ____ ou não?

Calma, eu tenho uma explicação.
Responde e eu te explico.

Ok, eu vou explicar. Na verdade essa é só uma forma de ver até onde vão as pessoas que dizem não ter medo de assumir esse tipo de coisa, e como essa palavra inibe tanto.

Eu poderia dizer que te ____.

Eu ____, e não preciso de outro motivo, justificativa ou parâmetro.
Pode não ser do modo mais arrebatador do mundo mas, no fim das contas, isso deixa de ser _____?

Não é porque eu disse que te ____ que isso signifique que o mundo está perdido.

Você mesmo tem medo dessa palavra, senão você teria dito que me ____ sem pestanejar.
Você me ____ porque perde o seu tempo comigo.

E isso é ____.
Não deixa de ser."

...E não precisa de nome.

Terça-feira

Sopro

Parei pra ver.
Esperei a ventania passar, pois nunca se sabe se ela trará alguma coisa.
Quando o vento é forte, tira os barcos da água, e os põe no telhado de casa pra navegar.
Ela trouxe exatamente vários barcos.

Saí quando tudo acalmou, e busquei o timão de um deles.
Dentre muitos quebrados, achei um que estava intacto.
Manobrei-o no seco, já sabendo onde ele iria chegar.
E fiquei ali, curtindo seu movimento estático por um tempo.

Na verdade, dei chances pro vento voltar e me levar embora.

Uma hora outra ventania voltou forte, e começou a arrastar tudo de volta.
Pelo menos a principio, eu achei que era de volta... Mas não era.
Posso até saber de onde é que o sopro trás o barco.
Mas não posso dizer, agora no ar, pra onde ele vai nos levar.

Quarta-feira

Pele nas paredes

Escrevo, pois com a distância as coisas são muito mais seguras.
Levantei paredes ao meu redor e coloquei suas coisas em pequenas molduras.
Enchi o armário com suas cartas.
Preguei suas fotos na cabeceira da cama.
Envernizei a coisa toda, e agora você está fora de perigo.
Aqui você não envelhece.
Sua cara plastificada me comove.
Até me arranca um sorriso quando vejo que você não pode piscar.
Mas também me deixa triste quando percebo que suas cartas e fotos não podem me tocar.

Quando abro a janela, a única que tem, abro só pra ventilar.
Demorei anos pra juntar todas essas coisas...
Não posso reclamar da frieza.
Aqui seus cabelos continuarão castanhos mesmo quando forem brancos.
e seus olhos continuarão verdes, mesmo quando não existirem mais.

Quinta-feira

Sonho pesado

Não importa quão suave seja o toque, despertar é sempre um ato brusco e inevitável.
A matéria endurece, o ar queima os pulmões, a luz explode nos olhos.
Você percebe, e sabe quando pára de sonhar.

É um ato diário.
Ás vezes lembramos de tudo que sonhamos.
Ás vezes a gente distorce os sonhos.
Ás vezes não lembramos de nada.

...Mas sonhar, a gente sonha sempre.

Segunda-feira

Voz. Letra. Palavra.

Truquezinhos da mente e gestos com a língua.
Som, rabisco, palavra.
A idéia do roteirista no papel.
A declaração do apaixonado no vento.

Ausente, mas assustadoramente real.

Turbilhão de intenções filtradas pela pausa.
A idéia é engolida a contra gosto, por necessidade.
Assim o silêncio revela a vontade.
E a vontade se esconde atrás do silêncio.